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Palavra do presidente

Novos horizontes pedem novas respostas para a aids e as hepatites

O 10º Congresso de HIV/Aids e o 3º Congresso de Hepatites Virais  - “Novos Horizontes, Novas Respostas”, Brasil 2015 - que o Ministério da Saúde realizará de 17 a 20 de novembro, em João Pessoa, não poderiam ter um mote mais a calhar, pois os novos horizontes abertos pela ciência e pela inovação demandam, dos atores de diversos setores (estados, municípios, academia, profissionais de saúde, ONGs, imprensa, parceiros internacionais, entre outros) que lidam diretamente com esses agravos, novas respostas, condizentes com o que há de mais atual, para que possamos, coletivamente, melhorar as condições de vida das pessoas vivendo com o HIV e com hepatites virais e, ao mesmo tempo, controlar essas epidemias.

No campo de aids, temos um horizonte acordado internacionalmente e liderado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids (Unaids) de acabar com os níveis epidêmicos da doença até o ano de 2030. O Congresso é uma oportunidade ímpar para discutir os desafios de como acelerar a resposta à aids nos próximos cinco anos (“Fast Track”) para que seja possível vislumbrar um mundo sem a epidemia de aids em 2030.

No ano em que celebramos os 30 anos da resposta brasileira à epidemia de aids, temos um fórum privilegiado para discutir informações estratégicas, prevenção, diagnóstico, tratamento, logística, monitoramento e avaliação, articulação entre os diversos atores, cooperações inter-federativas, Direitos Humanos, comunicação e HIV/aids e o papel do Brasil na luta contra a epidemia global, dentre outros temas relevantes. Uma troca de informação interna entre diferentes atores e diferentes localidades pode enriquecer em muito a experiência de cada um de nós.  A troca pode ainda se dar para além das fronteiras do país, com a participação de alguns dos ícones da luta contra a epidemia mundial.

As circunstâncias têm evoluído de maneira impressionante. Desde 1987, quando comecei a cuidar de pacientes com aids, o papel de um médico era tratar infecções oportunistas e confortar familiares. Hoje, o médico pode dizer ao paciente que ele não terá uma vida simples, mas que a infecção poderá ser bem manejada, especialmente se contarmos com a adesão firme da pessoa vivendo com HIV, a qual poderá, por exemplo, ser tratada com apenas um comprimido ao dia, o 3 em 1, que reúne os três remédios que compõem o tratamento antirretroviral.

Desde a edição do atual Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para manejo da infecção pelo HIV, em dezembro de 2013, o Brasil vive uma nova realidade em sua resposta. Estamos iniciando o tratamento cada vez mais cedo, evitando assim as complicações da multiplicação viral nos indivíduos, limitando o desenvolvimento de infecções oportunistas como a tuberculose e derrubando a morbidade e a mortalidade por HIV em médio prazo. As inovações não param e vão do desenvolvimento do teste de carga viral móvel (“point of care”) até medicações injetáveis mensais para quem faz uso diário de antirretrovirais. Vale a pena, ainda, mencionar a descoberta dos medicamentos de hepatite C que tratam os coinfectados com HIV, ou mesmo os fascinantes estudos de profilaxia pré-exposição (PrEP) que estão em curso.

Esperamos que esse evento possa se debruçar sobre tudo isso e muito mais. No campo das hepatites virais, infecções que afetam milhões de pessoas no mundo todo em suas cinco formas - A, B, C, D e E -, não é muito diferente: se antes havia uma doença negligenciada em todo o globo, hoje o Brasil começa a viver novos tempos, que oferecem aos pacientes novos horizontes para evitá-las e para curarem-se, caso infectados, especialmente, pela hepatite C, cujo novo tratamento, oral e com antivirais de ponta, começará a beneficiar os brasileiros ainda este ano. É uma revolução no campo do tratamento da hepatite C. Em 2014, implantamos a vacina de hepatite A e avançamos no caminho da cobertura universal de hepatite B, para todos, em todas as idades. 

Quanto ao panorama global, a Organização Mundial de Saúde apresentará, pela primeira vez, metas objetivas para a redução das hepatites em todo o planeta.

Aspectos importantes das hepatites A, B e Delta também serão debatidos em João Pessoa. No campo da hepatite Delta, haverá um Simpósio Amazônico pré-Congresso, envolvendo 5 países da América Latina.

Contaremos, nesses quatro dias em João Pessoa, com especialistas de primeira linha estrangeiros e brasileiros falando sobre hepatites virais.

Não bastasse tudo isso, o evento terá lugar em João Pessoa, em um dos melhores Centros de Convenção do país e um dos lugares mais bonitos do Brasil, sem falar do carinho e da hospitalidade dos paraibanos.

Os Congressos serão um amplo espaço para a troca de experiências, estando prevista a participação de cerca de 2.500 pessoas. Torço para que você, que está lendo este texto, seja uma delas.

 

Fábio Mesquita

Presidente do 10º Congresso de HIV/Aids e do 3º Congresso de Hepatites Virais
Diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde